
Amando Ferreira Nobre – Amando Nobre – nasceu em Maragogipe[1] em 09 de junho de 1903. Filho de Olavo Nerega Gomes e Maria Clotildes Nobre, morou em Maragogipe, Irará, São Félix e Feira de Santana. Casado com Nilza Pinto Nobre (in memoria), do segundo casamento teve como filhos, Wilson Pinto Nobre (89), Nilmando Edilson Pinto Nobre (in memoria) e Helington José Pinto Nobre (75). Já no primeiro casamento foram dois filhos, Antonio Rezende Nobre (in memoria) e Zuleica Rezende Nobre (in memoria). Aprendeu Piston na Filarmônica Terpsícore Popular de Maragogipe, deixando-a logo para ser regente. Atuou como maestro na Filarmônica União Sanfelixta, tendo que ser dispensado do cargo em 1944, por conta da crise financeira que a entidade estava vivendo devido a segunda guerra mundial. Após isso, regeu as filarmônicas 25 de Março, Euterpe Feirense, Lyra Iraraense. Foi autor da música do Hino de São Félix.
Atas de 1944, que dispensam o maestro Amando Nobre por
questões financeiras impostas pela Segunda Guerra(1939-1945)
Deixou escrito mais de 400 peças de partituras como: Peças de harmonia, Dobrados, Marchas, Valsas, Boleros, Fantasias que estão espalhadas por várias filarmônicas do Recôncavo Baiano[2], inclusive em bandas militares, entre eles, Dobrado nº 269 – “Boaventura 2º’, “Marcha Laura Vieira” (1934), "Dobrado Francisco Santos II" (1954), "Dobrado nº 150", "Dobrado nº 261, "Dobrado Bertulino Lima" (1947), “Bolero Major Elias Dias” (1929), “Bolero Zezinho do Ponto” e “Samba Não Sou Feliz” (1944. Faleceu em 09 de maio de 1970 na cidade de Feira de Santana.
Além de compositor e regente, era um escritor, um homem de ideias e entusiasta pela transformação da sociedade. Presença constante na ativa imprensa escrita do seu tempo, Nobre escreveu entre centenas de outras peças, o Grito dos Pretos, peça de grande repercussão à sua época. Junto com Estevam Moura e Waldemar da Paixão, forma a vanguarda do Recôncavo, a geração seguinte a Tranquilino Bastos e Heraclio Guerreiro, que levou o estilo a melodias mais leves, acréscimo de novas partes nos dobrados e convenções bastante estendidas, além de ter dado continuidade ao tangado, modelo de acompanhamento para dobrados feito nas tubas de forte influência negra.
As músicas de Amando Nobre são muito difundidas por toda a Bahia, onde exista banda, e entre suas obras se destacam as polacas, para solo de bombardino e trombone. (DANTAS, 2015, p. 100 e 101). Encontramos em um jornal não identificado, no ano de 1928, uma referência a Amando Nobre (1903-1970) que o liga a Heráclio Guerreiro por sucessão:
Maragogipe é o berço da inteligência, a terra das artes, dos músicos, dos poetas, dos oradores. Realmente, sem que vos fira a modéstia, não temos exagero nas expressões do ardoroso jornalista e acatadíssimo Levita do Senhor. Maragogipanos há que sabem elevar a terra querida onde nascemos. Dentre eles, convém lembrar aqui Amando Nobre. Músico que sabe escrever música. Da escola de Heráclio Guerreiro, compositor apreciadíssimo, aquele nosso conterrâneo, como aquele também o é, regendo pela segunda vez a garbosa filarmônica da cidade de São Félix, tem o seu nome triunfado em virtude da boa aceitação e dos merecidos aplausos que as suas produções musicais vêm conquistando. (DANTAS, 2021)
[1] Maragogipe, cidade do recôncavo baiano a 22 km de São Félix.
[2] O Recôncavo Baiano ou Recôncavo da Bahia é uma área formada por 20 municípios no Estado da Bahia, na região da baía de todos os Santos





