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Filarmônica Sociedade Cultural Orpheica Lyra Ceciliana

Em 22 de novembro de 1870 era criada em Cachoeira (BA) a filarmônica Sociedade Euterpe Ceciliana, primeiro nome da atual Sociedade Cultural Orpheica Lyra Ceciliana, fundada na sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte, logo após o encerramento dos festejos em louvor a Santa Cecília, a padroeira dos músicos, que desde  então  passou a ser objeto de devoção  da filarmônica.

História 

As rivalidades no interior da Capela d'Ajuda  nas primeira década do século XIX,[1] foi o processo inicial no que posteriormente vira a ser as duas importantes filarmônicas da cidade. No seio da Capela D’Ajuda, abrigavam as Orquestra Nossa Senhora d’Ajuda e a Banda Marcial São Benedito; a rivalidade se intensifica a partir da ligação dos músicos da Banda Marcial São Benedito com a Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte, além das disputas religiosa, ideológicas e corporativas, eles acrescentam a questão da escravidão como um dos principais pontos dessa rivalidade.

No ano de 1870, a Banda Marcial de São Benedito atingiu o mesmo nível musical da Corporação Musical de Nossa Senhora D’Ajuda e esta foi barrada numa série de direitos sobre a capela. Foram quatro artigos elaborados no compromisso da Corporação Musical Nossa Senhora d’Ajuda, aprovado pelo juiz procurador da coroa no Rio de janeiro, esses artigos tiravam os nominais direitos da irmandade de São Benedito. A consequência foi a Banda Marcial não poder, por exemplo, festejar o evento de Nossa Senhora D’Ajuda. Dessa forma, foram expulsos da capela d’Ajuda, mudando-se para a igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte.[2]

Nessa circunstância, em 22 de novembro de 1870, formou-se a Sociedade Euterpe Ceciliana, fundada por Tranquilino Bastos, José Raymundo de Figueiredo Branco e Antônio Salustiano.

A Lyra Ceciliana participava dos mais diversos eventos sociais da cidade entre eles festividades da Igreja Católica, funerais, desfile, apresentações em coretos,  passeios festivos, carnaval e festejos políticos, etc. O Jornal "A Ordem" (figura  a baixo) registra a participação da filarmônica na inauguração da energia elétrica na cidade de Cachoeira.

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[1] NASCIMENTO, op. cit. p.20

[2] Ibdem, op.cit. p.25-32

Lei Orgânica da Lyra Ceciliana de 13 de Maio de 1891

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Os músicos da  Lyra Ceciliana, liderados pelo maestro abolicionista Tranquilino Bastos saíram ás ruas no dia 13 de maio de 1888 em "Airosa Passeata" executando o Hino Abolicionista, essa comemoração pela conquista da liberdade do povo negro ocorre até os dias atuais, a filarmônica  percorre as ruas da cidade de Cachoeira em tocata e em especial tocam o Hino Abolicionista.

Os músicos dessa filarmônica exerceram papel importante na luta contra a escravidão e resistência contra a cultura branca, desenvolveram táticas e até mesmo criaram um novo estilo de música de filarmônica introduziram divisões/tempos/ritmos, aspectos da musicalidade africana e também protesto, desenvolvendo assim a música erudita afro-brasileira    

A centenária  filarmônica está em pleno funcionamento e conta com escola de Música Irineu Sacramento, que  ao longo dos seus mais de 150 anos de ensino já formou centenas de jovens de forma gratuita, desempenhando assim um importante papel social para a comunidade cachoeirana.

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Presidente : Orlando José da Fonseca Mascarenhas 

Maestro: Jairo dos Santos 

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Mestrado Profissional em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas

 

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Orientadores na disciplina: Leandro Antonio de Almeida e Sérgio Armando Diniz Guerra Filho. A sugestão, concepção e revisão da versão inicial do site decorrem da disciplina "Metodologia da Pesquisa e da Produção de Materiais Didáticos em História", ministrada no 2º semestre de 2019 no Mestrado em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas.

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