
Fanon e as relações raciais no cenário cultural cachoeirano
Vanessa Ribeiro
Frantz Fanon (2008), oferece subsídios para compreender as relações raciais no cenário cultural cachoeirano no final do século XIX e início do século XX, em sua obra “Peles negras máscaras brancas”, o autor trata do colonialismo a partir da premissa psicológica da dominação, em que o racismo é ferramenta psíquica da dualidade branco colonizador versos negro colonizado. O autor destaca o racismo relacionando-o a questões religiosas e suas justificativas para dominação, discriminação e inferiorização do negro. A mentalidade europeia era de inferiorizar o negro utilizando das mais diversas justificativas, dentre elas, a questão religiosa e biológica, onde aproximava o negro do macaco, assim como também, aproximava o judeu do rato. Esses foram critérios fundamentais para vincular também as questões sexuais e corpóreas; caracterizando como animais e por isso menos humanos e consequentemente não civilizados. Assim para Frantz Fanon (2008), não pode-se considerar apenas a questão da discriminação como algo geral e amplo , mas sim a “negrofobia”.
Fanon (2008) abriu o horizonte para compreender a aquisição da liberdade do negro pelo próprio negro. Aproximando suas teorias para compreensão do contexto cultural cahoeirano do século XIX, a participação dos negros nas filarmônicas a primeira vista não passava de uma assimilação do negro a cultura branca, sendo assim, todos os músicos negros estavam sobre o controle e disciplina das Leis Orgânicas das instituições, ou seja, o “bom negro” de “máscara branca”, contudo, em uma análise mais aprofundada desses sujeitos e em especial, Tranquilino Bastos, negro, letrado, abolicionista, fundador de filarmônicas, jornalista, etc, observa-se que os negros cachoeiranos desenvolveram táticas para romper com o julgo do colonizador; os mesmos músicos que estavam nas filarmônicas executando música eruditas, eram os músicos que também faziam parte das festas “profanas” da cidade e que levavam grande número de populares para as ruas. É deste entendimento que desenvolverá a busca pela lógica do rompimento da repressão e vigilância, no sentido da liberdade e desenvolvimento da cultura negra no cenário cachoeirano do início do século XX.
